Atualizado 18/12/2018

Compras de Natal serão à vista e no dinheiro em Santa Catarina

O Natal é como o pote de ouro na ponta do arco-íris para lojistas e comerciantes. A data equivale, conforme estimativa do SPC Brasil, à soma das principais datas comemorativas do calendário, como Dia das Mães, dos Pais, dos Namorados e das Crianças. Em Santa Catarina, por exemplo, cada consumidor pretende desembolsar pelo menos R$ 486,80 até 24 de dezembro – crescimento de 5,88% em relação ao ano passado. O valor deve financiar uma média de quatro presentes por pessoa.

 

Os efeitos dessa janela de bonança devem ser imediatos no Estado, onde mais da metade das pessoas (66,1%) pretendem pagar à vista e em dinheiro. No país, o Natal será responsável por movimentar R$ 53,5 bilhões na economia.

 

O levantamento de intenção de compras no Natal, feito pela Fecomércio-SC, mostra ainda que apenas 3,7% devem pagar à vista no crédito, enquanto 17,3% pretendem usar o crédito, mas parcelando os gastos. Outros 9,5% usarão o débito e apenas 2% recorrerão ao crediário. Essa tendência reflete a preocupação das pessoas com a saúde e a estabilidade financeira, que tem crescido a partir do receio de perder o emprego, analisa a especialista em economia e gestão de estratégias empresariais, Janypher Marcela Inácio.

 

Para a economista e professora no curso de Administração da Univali, optar por pagar em dinheiro não representa, necessariamente, a falta de crédito:

 

– Estar devendo não gera um impacto no crédito por regra. As pessoas têm contas, mas não significa que estão inadimplentes. O que ocorre é que as parcelas contemplam uma maior parte do salário. Outro ponto é que as coisas também estão mais caras. Quando você paga em dinheiro, tem a real noção de quanto está sendo gasto.

 

Atualmente, cerca de 55,17% dos catarinenses têm contas a pagar, ou seja, estão endividados. Desse total, ao menos 10,65% não terão como arcar com os gastos, podendo deixar as contas vencerem. Esse grupo poderá integrar outro índice, o das famílias já consideradas inadimplentes.

 

Foto: Arte DC / Arte DC

 

Maioria vai usar o 13º para quitar dívidas

 

Em novembro, 19% dos entrevistados estavam devendo (no mesmo período do ano passado eram 21%). Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Fecomércio-SC.

 

Outro dado que demonstra o amadurecimento econômico dos consumidores é a forma como o 13º salário deve ser usado em 2018.

 

O percentual de quem usará o dinheiro extra para quitar débitos aumentou, ainda que de forma tímida, de 37% para 37,5% em relação ao ano passado. O índice é maior do que o dos que pretendem destinar o benefício para as compras de Natal (16,7%). Há ainda aqueles que economizarão o 13º (29,6%) e uma pequena fatia que investirá em viagens (9,6%).

 

– Historicamente, em Santa Catarina, o principal destino do 13º é o pagamento de dívidas. Mesmo assim, o volume (de dinheiro) injetado na economia é considerável, atingindo quase R$ 4 bilhões. Então o montante das pessoas que optaram por comprar presentes também é significativo – diz o economista da Fecomércio-SC, Luciano Córdova.

 

Escolher priorizar o pagamento de dívidas é uma chance de o endividado voltar a consumir, considera Córdova. Essa conduta evitaria um efeito cascata, conforme alerta o economista e professor voluntário da UFSC, João Rogério Sanson:

 

– Usar o dinheiro para comprar à vista também significa deixar de comprar no crédito e ficar fora dessa fatia de mercado. A lógica disso, das pessoas que ficam fora do mercado de crédito, pode ser a diminuição de vendas, e isso é um impacto para o ano todo.

Fonte: Diário Catarinense
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