Atualizado 03/12/2018

Começa, na Polônia, a conferência do clima que Bolsonaro esnobou

Pessoas andando em frente ao local da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática COP24, em 2018, em Katowice, Polônia

© Kacper Pempel Pessoas andando em frente ao local da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática COP24, em 2018, em Katowice, Polônia

 

No gelado começo de inverno polonês pode ser mais fácil esquecer que o aquecimento global é um tema que não pode ser empurrado com a barriga. É o que tentarão evitar membros de 196 países que começaram a chegar ontem a Katowice, na Polônia, onde começa hoje a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-24). Os debates vão até 14 de dezembro.

 

Katowice foi escolhida por seu sucesso em deixar no passado uma matriz energética baseada em carvão mineral para adotar métodos de produção de energia mais limpos. É, basicamente, o que os 11.000 delegados presentes ao evento tentarão replicar em escala global.

 

O objetivo do encontro é ambicioso: montar um plano de ação para tirar do papel os objetivos firmados no Acordo de Paris, em 2015, que prevê manter o aumento da temperatura global abaixo dos 2 graus, se possível abaixo de 1,5 grau. A ideia é que o plano comece a ser executado já em 2020, com a doação de pelo menos 100 bilhões de dólares por ano de países desenvolvidos para nações de menor renda para projetos que contenham a emissão de gases do efeito estufa, como para contenção do desmatamento e de inundações. O tema é tão polêmico que exigiu a realização de um pré-encontro, três meses atrás, na Tailândia.

 

Ainda assim, avanços concretos são pouco esperados na Polônia. Um crescente ceticismo global com a participação humana no aquecimento global certamente não ajuda. O presidente americano, Donald Trump, retirou o país do Acordo de Paris, e levou políticos de outros países, como o futuro presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, a questionarem a validade de ações contra o aquecimento global. Depois da Polônia, a conferência do clima do ano que vem deveria acontecer no Brasil, mas o futuro presidente já avisou não ter interesse em recebê-la, alegando questões orçamentárias.

 

Entre as metas assumidas pelo Brasil está limitar o avanço do desmatamento na Amazônia a 3.900 quilômetros quadrados por ano até 2020. O desmatamento já chegou a 20.000 quilômetros quadrados por ano, em 2004, recuou para baixo dos 8.000, mas deve ter em 2018, segundo o governo, a maior taxa dos últimos 10 anos. Segurar o aquecimento global exige esforço constante, e a grande dúvida na mesa é qual será o papel do Brasil nos próximos quatro anos. Sem nossa ajuda, a meta firmada no Acordo de Paris fica um pouco mais distante.

Fonte: Msn.com
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