Atualizado 12/04/2018

Faltam 179 leitos de UTI neonatal em SC, aponta pesquisa

Bebês prematuros e recém-nascidos em estado grave podem enfrentar dificuldades para encontrar vagas em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) neonatal em Santa Catarina. O levantamento, feito pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) a partir do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) do Ministério da Saúde, mostra que o Estado tem um déficit de 179 leitos para atingir a proporção considerada ideal, que é de quatro vagas por mil nascidos vivos. O Estado tem 211 vagas, o que leva a uma taxa de 2,2, quase metade do que é preconizado pela SBP. O levantamento, divulgado nesta quinta-feira, inclui leitos do SUS e de hospitais privados.

 

Essa média catarinense está abaixo, inclusive, da nacional, de 2,9. No SUS, a situação é ainda pior. Santa Catarina conta com 146 vagas, o que dá uma proporção de 1,5 para cada mil nascidos vivos. O pediatra Remaclo Fischer Júnior, do Departamento Científico de Neonatologia da SBP, diz que apesar de SC ter uma distribuição mais homogênea do que outros Estados, ainda existe carência de leitos:

 

— O que falta é um programa de regionalização do atendimento neonatal e investimento, mas tem que ser bem feito para que não se faça leitos a mais onde não precisa e deixe outras regiões carentes. Cada recém-nascido deve nascer em um local que tenha estrutura para o risco dele.

 

Ele diz que são necessários recursos tecnológicos, área física e equipe treinada para mudar esse cenário, além de vontade política para distribuir essas estruturas. Fischer Júnior cita que os hospitais recebem menos por UTIs neonatais do que de adultos, o que também impacta na redução de leitos. O pediatra que atua há 30 anos em Florianópolis reforça a importância de dar valor a esse tipo de atendimento aos recém-nascidos:

 

— Se você tem um bebê com insuficiência respiratória por prematuridade ou outros motivos e não tem uma UTI as chances dele são muito pequenas. Esse investimento pode reduzir a mortalidade do recém-nascido. 

 

Apesar da importância desse tipo de leito, houve pouco avanço nos últimos anos no Estado. Em 2010, eram 206 vagas, número que passou para 211 em 2017. Um crescimento tímido de 2%, abaixo dos outros Estados da região Sul. No Paraná, esse acréscimo foi de 31% e, no Rio Grande do Sul, de 9%. Já no Brasil, a média foi de 17%. Se consideradas apenas as vagas no SUS, o resultado em SC é ainda pior: o número de leitos saiu de 146 para 144, quarta pior queda do país. Já o resultado dos leitos privados é mais positivo, subiu de 60 para 67, com crescimento de 12%.

 

 FLORIANÓPOLIS, SC,  BRASIL - 05/04/2018Falta de leito uti neo natal

Foto: Marco Favero / Diário Catarinense

 

Falta de vagas no interior impacta na Capital.

 

Em Florianópolis, segundo o levantamento, são 44 vagas, o que representa 20% do total de vagas no Estado. Ainda assim, os leitos na Capital ainda são insuficientes. É o que defende o vice-presidente da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia de SC, Ricardo Maia, que também é diretor da Maternidade Carmela Dutra. Ele cita que, além dessa unidade, o Hospital Universitário e o Regional de São José são referências estaduais para gestação de alto risco:

 

— Qualquer gravidez de alto risco do Estado que não encontra vaga no interior acaba vindo para cá. E o número de leitos de UTI Neonatal que nós temos não teve nenhum acréscimo nos últimos 15 anos, e o movimento vem aumentando cada vez mais.

 

Na Maternidade Carmela Dutra, por exemplo, são 10 leitos de UTI neonatal e Maia calcula que o ideal, para atender à demanda, seria pelo menos dobrar o número de vagas. Ele diz que por falta de estrutura física não é viável a ampliação da ala. Porém, Maia ressalta que o Regional de São José abrirá mais 10 vagas, o que deve amenizar a situação.

 

Contraponto

 

A Secretaria de Estado de Saúde escreveu uma nota respondendo aos questionamentos da reportagem:

 

Em SC há  mais 30 leitos de UTI neo do tipo 1 que não podem ser habilitados porque a portaria mudou e estão sendo feitas readequações.

A SES tem projeto de ampliação de UTI Neo tipo 2 no HRSJ com mais 20 novos leitos.

O Hospital Infantil de Joinville  tem no momentoté 7 leitos de UTI NEO habilitados. Em outubro de 2017 foram implantados mais 13 leitos que ainda não estão habilitados pelo MS, mas estão em funcionamento. 

Há mais 10 leitos de UTI NEO tipo 2 no Hospital Infantil Joana de Gusmão custeados pelo estado.

As regiões que dependem de outras para UTI Neo são o extremo oeste, extremo sul e meio oeste.

A SES ratifica que na verdade não diminuíram os leitos. Eles foram qualificados de acordo com a nova legislação. Além disso, alguns leitos ainda não foram habilitados, mas estão em funcionando sendo custeado pelo estado. Outros ainda não estão em funcionamento, mas continuam existindo.

Uma grande dificuldade para ampliar leitos de UTI neo é ter profissionais para estes serviços novos. Em especial neonatologista. Por exemplo, para 10 leitos é necessário uma equipe 24h.

Fonte: Diário Catarinense
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